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A MINHA ÚLTIMA VISITA A BRAGANÇA

10.06.2013 18:06

Nunca me esqueci daquele maravilhoso dia. Desde que emigrei a Espanha, fugindo da miséria, da fome e da escravidão, no ano do Senhor 1961, não havia tido a oportunidade de voltar à que fora minha pátria. Qual fora a minha admiração ao entrar no meu país, não encontrara nenhuma autoridade exigindo qualquer documento que me identificara. Pensei para mim: -É verdade, estou em Europa! Por aquela data, os acordos de Shengen já tinham entrado em vigor.

Desde a fronteira de Qintanilha a Bragança, não notei renovação nenhuma; uma estrada com muitas curvas, com um pavimento cheio de buracos que unia a cidade de Zamora em Espanha á cidade de Bragança em Portugal; trinta quilómetros de paisagens grisalhas dos altos montes que ladeiam aquela rota, me oferecia o mesmo aspecto de muitos anos atrás.

Já em Bragança, os meus olhos iluminaram-se ante o progresso havido. Observei com prazer e admiração que Bragança tinha despertado de um sonho secular. Encontrei uma cidade desperta, transformada; quiçá, mais atrevida e consciente do seu valor.

Vi uma cidade moderna, desenvolvida em todos os aspectos. Avenidas largas e cosmopolitas, grandes edifícios com uma linha vanguardista, amplia zonas verdes logradas com gosto, ruas e passeios pavimentados ao ritmo da modernidade, e sobre tudo, a sua expansão urbanística.

Aquela Bragança dos anos sessenta que eu conhecia, tranquila, mas vazia de beleza e comodidade; bonita mas desarranjada, majestosa, mas indigente, é hoje uma cidade com vida, com sensibilidade e encanto.

A Bragança, somente faz-lhe falta o investimento industrial para conseguir a pujança económica de outras grandes cidades do país; porque esta linda cidade portuguesa, já tem os elementos ecensiais para conseguir esse objectivo: um espírito de luta invejável, uma gente com ganas de comunicar-se com o resto de Europa e do país, e sobre tudo, a firme vontade de lutar dia após dia, pelo bem-estar da sua futura geração.

A cidade que eu conhecia naquele ano 1960, já não é a mesma. Bragança é hoje, uma cidade desperta, com os olhos postos em Europa.

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