EL PAN ALIMENTA, LA LECTURA EDUCA.
AO CALOR DA LAREIRA NATALICIA
07.05.2013 08:18Naquela humilde casa labrega, aquela bonita noite de natal, não haviam luminárias de variadas cores nem outras decorações que ressaltassem aquele dia festivo. Naquela infortunada casa, só havia dor e solidão.
Carlos, tinha perdido de golpe tudo quanto lhe havia dado a vida. Aquele mesmo ano num acidente de carro perdeu os seus pais, e o seu avô com quem vivia, como consequência do Parkinson que dia a dia lhe angustiava mais, não lhe permitiam desfrutar da sua inocente infância.
Aquela noite de natal, sentado com o seu avô junto à lareira que aquecia aquela cozinha de aldeia, o avô Matias com a voz cansada, contava ao seu neto o autêntico conto do natal.
“-Aquela noite meu filho, fazia muito frio. No dia anterior, a Virgem Maria e São José, buscaram aonde hospedarem-se e pudesse assim a Virgem, dar à luz com o mínimo de comodidades, pois a hora do parto era eminente; pero por destino de la Providência, não encontraram posada que lhes alojara. Depois de horas e horas buscando posada sem encontrar uma só que lhes atendera, decidiram deixar a aldeia, e outra vez por destino da Providência, encontraram um pequeno refugio onde acovilharam-se aquela fria noite.
Baixo o amparo do alento dos animais que habitavam aquele estábulo, veio ao mundo aquele menino que viria a ser o Redentor. E uma vez nos braços da sua mãe, os Anjos fizeram troar as trompetas e em todos os lugares do mundo se escutaram as suas proclamas: “Nasceu o filho de Deus”, e o céu se cobriu com deslumbrantes estrelas, que cintilavam ao ritmo dos cânticos angelicais; e de terras distantes, pastores y reis tomaram caminho até aquele humilde estábulo, para honrar o filho de Deus.–“
“-Porque sendo filho de Deus, teve que nascer num curral?-” Perguntou Carlos, o neto de Matias.
“-Porque assim tinha que suceder para exemplo de todas as raças da época e do futuro-“ Respondeu-lhe o avô enquanto, com a ajuda de umas pinças, arrimava um troço de madeira ao lume. –“Na pobreza e na humildade está o autêntico amor, e o amor meu filho, é o autêntico Natal.”
“-Não te entendo avô.-“ Manifestou Carlos com admiração.
“-Já entenderás quando tenhas fé e vivas o autêntico Natal dentro de ti mesmo.-“
“-Que tenho que fazer avô, para ter fé e viver o autêntico Natal?-“
“-Fechar os olhos, e com o pensamento, conhecer todas as misérias dos demais, até que te dês conta que tu, não és o mais infeliz; fechar os olhos com o pensamento abrindo o teu coração à fé, abrigando nele o menino que acaba de nascer.-“
Carlos fechou os olhos, e apertando os dentes, pensou com a sua inocente mente: -¡Sim avô! Tenho tanta fé e quero tanto o Natal, que agora mesmo me conformo com a minha situação.
Repicaram os sinos na Capela da aldeia. Eram as doze da noite e o silêncio de aquela humilde casa se rompeu com uma uma melodia cantada pela voz trémula do avô e a inocente voz do seu neto.
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